ATIVIDADE / SIMULADO DE PORTUGUÊS - GÊNERO: CONTO (INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO) - 8º / 9º ANO

Leia o texto para responder às questões 1 - 3.

FURTO DE FLOR 

Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber e flor não é para ser bebida. Passei-a para o vaso e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me: 

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim! 

Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis.

1. Leia as afirmativas abaixo e em seguida assinale a alternativa correta
a) O texto Furto de Flor é predominantemente narrativo. 
b) O autor ao longo do texto vai construindo um misto de narrativa e texto objetivo. 
c) O autor usou a 1ª pessoa para, supostamente, aproximar-se do personagem da narrativa. 
d) Apenas pela leitura do título do texto, pode-se afirmar que o texto é narrativo. 

2. Segundo o texto de Drummond, a condição para haver novidade em uma flor, sem agredi-la, é apenas admirá-la. O trecho do conto que satisfaz esta condição é
a) “Furtei uma flor daquele jardim”. 
b) “Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia”.
c) “Quantas novidades há numa flor se a contemplarmos bem”.
d) “Não adiantava restituí-la ao jardim".

3. Ao longo do texto, o personagem vai gradativamente buscando manter a flor viva, mas não é feliz no seu intento, pois a 
a) colocou num copo com água.
b) depositou no jardim onde desabrochara.
c) colocou no vaso com terra.
d) furtou do jardim.

Leia o texto abaixo para responder às questões 4 - 6.

APELO
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
Dalton Trevisan.

4. Qual o tema central do conto que você leu
a) Um homem que narra e descreve sua rotina após ser abandonado. 
b) Um homem que narra e descreve sua sede de amar.
c) Um homem que narra e descreve a briga pelo sal no tomate.
d) Um homem que narra e descreve a primeira vez que o leite coalhou.

5. A narrativa do conto acontece em
a) 3ª pessoa narrador onisciente.
b) 2ª pessoa.
c) 1ª pessoa.
d) 3ª pessoa narrador observador.

6. O trecho abaixo que confirma que a narração do conto acima está em 1ª pessoa, narrador-personagem é
a) “(...) o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho (...)” 
b) “(...) Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou(...)”
c) “(...) Uma hora da noite, eles se iam e eu ficava só. (...)”
d) “(...)Amanhã faz um mês(...)”

Leia o trecho do texto “A quinta história” de Clarice Lispector para responder às próximas 2 (duas) questões:


Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a receita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais: açúcar, farinha e gesso.  A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria o de dentro delas. Assim fiz. 
Morreram. 

7. Embora muito pequeno, esse texto contém os elementos essenciais de uma narrativa. Encontramos no trecho do conto acima 
a) Narrador-personagem.
b) Narrador-observador.
c) Narrador-onisciente.
d) Narrador-testemunha.

8. O foco narrativo da história é
a) Foco narrativo impessoal.
b) Foco narrativo em 3ª pessoa.
c) Foco narrativo em 1ª pessoa.
d) Foco narrativo em 2ª pessoa.

Leia o texto abaixo e resolva a questão:

Festa
Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental olha o crioulão de roupa limpa e remendada, acompanhado de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro mais novo, mas ambos com menos de dez anos.
Os três atravessam o salão, cuidadosa mas resolutamente, e se dirigem para o cômodo dos fundos, onde há seis mesas desertas.
O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O homem pergunta em quanto fica a cerveja, dois guaranás e dois pãezinhos.
– Duzentos e vinte.
O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido.
– Que tal o pão com molho? – sugere o rapaz.
– Como?
– Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito mais gostoso.
O homem olha para os meninos.
– O preço é o mesmo – informa o rapaz.
– Está certo.
Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra, como se o estivessem fazendo pela primeira vez na vida.
O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e, em seguida, num pratinho, os dois pães com meia almôndega cada um. O homem e (mais do que ele) os meninos olham para dentro dos pães, enquanto o rapaz cúmplice se retira.
Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene o copo de cerveja até a boca, depois cada um prova o seu guaraná e morde o primeiro bocado do pão.
O homem toma a cerveja em pequenos goles, observando criteriosamente o menino mais velho e o menino mais novo absorvidos com o sanduíche e a bebida.
Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois meninos. E permanecem para sempre, humanos e indestrutíveis, sentados naquela mesa.
PIROLI, Wander. 

9. O tipo de tempo empregado no conto acima foi
a) Cronológico com narrativa não linear.
b) Psicológico com narrativa linear.
c) Psicológico com narrativa não linear.
d) Cronológico com narrativa linear.

Leia um trecho do conto “Missa do Galo” de Machado de Assis para responder à questão:

- Talvez esteja aborrecida, pensei eu.
E logo alto:
- D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...
- Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio; são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?
- Já tenho feito isso.
- Eu, não; perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha.
- Que velha o quê, D. Conceição? 

10. O tipo de discurso empregado no trecho do conto acima foi
a) Discurso Direto.
b) Monólogo.
c) Discurso Indireto.
d) Discurso Indireto Livre.

Leia um trecho do conto “Cemitério de elefantes” de Dalton Trevisan e depois responda a questão:

Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descansou no chão o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque.

11. O tipo de discurso empregado no trecho do conto acima foi
a) Discurso Direto.
b) Monólogo.
c) Discurso Indireto.
d) Discurso Indireto Livre.


GABARITO
1A / 2C / 3D / 4A / 5C / 6C / 7A / 8C / 9D / 10A / 11C

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