ATIVIDADE / SIMULADO DE PORTUGUÊS - ARTIGO DE OPINIÃO SOBRE O CORONAVÍRUS - 8º e 9º ANO

 A incerteza da opinião em época de pandemia


Por Elis Radman (Mestra em ciência política pela UFRGS)


            É difícil para as pessoas responderem pesquisas de opinião que tratam sobre a Codiv-19. E esse dilema está associado à dicotomia entre o que aparece na televisão e a realidade em que se vive, o cotidiano de cada cidade. A maioria da população afirma que está preocupada e bem informada sobre o Coronavírus. Na prática, afirmam que “não aguentam mais” receber mensagens sobre a Covid-19 pelo WhatsApp ou assistir às notícias pelos meios de comunicação, em especial, pelos telejornais. É como se assistissem a uma novela onde o vilão não para de fazer maldade.
             E esse sentimento ocorre porque há muita incerteza e dúvidas. De um lado, se vê as estatísticas das mortes, as notícias sobre enterros em massa, hospitais entrando em colapso e os tristes depoimentos de quem perdeu um familiar. De outro lado, se sai à rua com a sensação de que não há perigo eminente. Tem-se a percepção de que a vida irá voltar ao normal e, inclusive, há quem acredite que o isolamento foi um exagero.
           Quando o tema avaliado questiona o isolamento social, há mais dúvidas. Metade dos gaúchos é favorável ao isolamento e a outra metade é contra. Mas essa avaliação não está associada apenas a uma posição, a uma opinião. Ela é resultado de uma necessidade básica de sobrevivência, que tem como base a ideia de que a economia é mais importante do que a defesa de “uma ciência que parece não entender a realidade das pessoas”.
            Os que concordam com o isolamento, são aqueles que tem renda fixa, maior grau de escolaridade e condições de executar as suas tarefas remotamente. A grande maioria, que se mostra contra o isolamento social, vive o dilema de manter seu empreendimento, de lutar pelo seu negócio, de garantir o seu emprego ou até mesmo de tentar sobreviver como trabalhador autônomo ou informal. São pessoas que nãos sabem como irão pagar as contas que chegam ou como irão alimentar sua família. Muitas pessoas que têm essa opinião estão nas filas do auxílio emergencial, sendo que alguns continuam invisíveis ao sistema de proteção social (não tendo nem CPF).
             Quem é contra o isolamento pela necessidade de subsistência básica afirma que “se o vírus não matar, a fome irá matar”. A maior parte dessas pessoas tendem a apoiar as indicações do Presidente Bolsonaro, pedindo a retomada das atividades econômicas. É como se o Presidente entendesse a angústia dessas pessoas e as representasse. Quem está focado na necessidade econômica não acredita que haverá mortes e muitos indicam um culpado, seja um país ou até mesmo o sensacionalismo dos meios de comunicação.
         As pessoas são movidas por expectativas ou dores. E nesse momento, muitos gaúchos se preocupam com a realidade econômica e a sua dor está associada à diminuição das perdas econômicas ou à necessidade de provir a alimentação de sua família. A realidade dá o passo para a opinião e se alinha, naturalmente, a posições políticas que tratam a pandemia como uma crise qualquer. Essa instabilidade política na condução da pandemia pode transformar a dor daqueles que sofrem com as perdas ou as dificuldades econômicas em um luto pela morte de seus amigos e familiares.


1. (SAEB D12) O texto que você acabou de ler é um artigo de opinião, isso se justifica porque a autora
a) busca apresentar uma informação nova ao leitor.
b) tenta entreter o leitor com informações pertinentes à literatura.
c) busca narrar fatos ocorridos no cotidiano da população.
d) expõe seu posicionamento sobre um determinado tema de interesse público.  

2. (SAEB D1) Segundo o texto,
a) a maioria da população ainda não se sente informada o suficiente quanto ao Coronavírus. 
b)  há uma percepção de semelhança para as pessoas entre o que se vê na televisão e a na realidade em que se vive.
c) a população em geral está atribulada com a pandemia do Coronavírus.
d) as pessoas têm facilidade em participarem de pesquisas de opinião.

3. (SAEB D4) O tema central do texto é
a) os impactos da pandemia na saúde pública.
b) a desarmonia de pensamento sobre isolamento social.
c) as mortes causadas pelo Coronavírus.
d) o excesso de informações sobre a pandemia da Covid-19.

4. (SAEB D13) No trecho: “Na prática, afirmam que “não aguentam mais” receber mensagens sobre a Covid-19...”, o termo grifado foi colocado entre aspas por ser uma expressão de linguagem
a) coloquial.
b) técnica.
c) culta.
d) formal.

5. (SAEB D14) Há uma opinião em
a) “É como se assistissem a uma novela onde o vilão não para de fazer maldade.”
b) “A maioria da população afirma que está preocupada...”
c) “Na prática, afirmam que “não aguentam mais” receber mensagens sobre a Covid-19 pelo WhatsApp...”
d) “... e, inclusive, há quem acredite que o isolamento foi um exagero.”

6.  (SAEB D8) No trecho: “Quando o tema avaliado questiona o isolamento social, há mais dúvidas. Metade dos gaúchos é favorável ao isolamento e a outra metade é contra.” Ao citar sobre os gaúchos, a autora
a) faz uso de um argumento para comprovar sua opinião.
b) usa fatos para dar credibilidade ao seu texto.
c) esclarece sua tese para consolidar seu pensamento.
d) revela sua opinião em desfavor do isolamento social.

7. (SAEB D2) No trecho: “Ela é resultado de uma necessidade básica de sobrevivência...”, o pronome grifado faz uma retomada da palavra
a) opinião.
b) posição.
c) avaliação.
d) necessidade.

8. (SAEB D1) Segundo o texto, as pessoas que mais defendem o isolamento social são 
a) aquelas que dependem do auxílio emergencial do governo.
b) aquelas que possuem uma renda fixa.
c) autônomas ou informais.
d) os invisíveis aos sistemas de proteção social do governo.

9. (SAEB D15) No trecho: “... vive o dilema de manter seu empreendimento, de lutar pelo seu negócio, de garantir o seu emprego ou até mesmo de tentar sobreviver como trabalhador autônomo ou informal.”,  a palavra grifada estabelece ideia de
a) conclusão.
b) adição.
c) consequência.
d) alternância.

10. (SAEB D17) No final do quarto parágrafo, a autora colocou entre parênteses a expressão “(não tendo nem CPF).”. Esse uso se deve porque
a) o termo foi uma retomada da frase anterior.
b) ela fez um esclarecimento ao leitor.
c) representa a fala de um entrevistado.
d) há uma oposição à ideia anterior.

11. (SAEB D3) No trecho: “Essa instabilidade política na condução da pandemia pode transformar a dor daqueles que sofrem com as perdas ou as dificuldades econômicas em um luto pela morte de seus amigos e familiares.”. A palavra grifada pode ser substituída, sem alterar o sentido do texto, por
a) mutabilidade.
b) consistência.
c) coerência.
d) segurança.


GABARITO
1D / 2C / 3B / 4A / 5D / 6B / 7C / 8B / 9D / 10B / 11A

4 Comentários

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  1. VOCÊS ESTÃO DE PARABENS, POR DISPONIBILIZAR ESSE MATERIAL RICO. Me AJUDA BASTANTE. BJS.

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  2. Olá, ótimas perguntas! Teria como mandar as respostas também?!

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  3. Desculpa, eu não tinha entendido o gabarito

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